Olá meus queridos...
Como se têm saído na vossa jornada diária, quando se deparam com dificuldades ou problemas?
Saem do vosso
"canto confortável", ou continuam a agir como se não fosse nada convosco?
Tenho feito esta pergunta a mim mesmo desde que coloquei o meu primeiro artigo online, e sinceramente tem sido um desafio, pois quando tomo consciência de algo que devo mudar, há sempre uma voz que me insta a reflectir no assunto e me deixa desconfortável.
Noutro dia ouvi uma experiência que me fez pensar nisto, numa outra perspectiva, vou-vos contar.
Certo jovem, de seu nome João, vivia na casa de seus pais com seus irmãos, nos arredores de uma grande cidade.
Estudava Psicosociologia e interiormente começou a pensar na vida pacata que levava, comparativamente com a dos seus colegas. Seus pais sempre o educaram, bem como aos seus irmãos, a ter uma uma vida regrada onde não entrassem em exageros nos gastos que faziam, tentaram que eles fossem poupados nas suas ecónomias, preservavam uma linguagem moderada mas correcta e procuraram levá-los a conhecer Deus.
O João era muito bom aluno, e gostava de aprender. Ele devorava livros e tinha uma paixão por autobiografias e livros que mostrassem comportamentos desviantes, que falasse de pessoas que saíam da norma.
Mas acontece que o João começou a ter amigos novos. Amigos da faculdade, que nem sempre tinham uma linguagem tão cuidada como a dele, e os seus hábitos eram também um pouco diferentes dos seus, mas ele dizia que isso não era importante, ele faria a diferença.
Os seus amigos também era muito bons alunos, e ele descobriu que eles também gostavam muito de ler, só que os interesses dos seus novos amigos eram um pouco diferentes. Estes gostavam mais de livros ciêntificos, onde o concreto era aquilo que tocavam e viam.
Aos poucos também teve a percepção de que eles não eram muito ligados à familia, uns tinham pais separados e conseguia-se ver a sua dôr, outros já tinham saído de casa e diziam:
"Não estou para aturar aqueles velhotes retrógados". Só que apesar disto tudo ele via uma "alegria" nos seus amigos que ele não entendia.
Todos eles saíam à noite e iam para aqui e para ali, muitos sem horários, outros sem regras, enfim a sua educação havia sido diferente. E o João começou a questionar-se, como podem eles estar falizes se as bases das suas vidas estão deslocadas? Será que poderei ter esta felicidade? Se eles têm porque não hei-de eu também experimentar o mesmo? Felicidade é
bom!
João que sempre estivera acomodado na sua redoma de vidro, resolveu sair fora dela, resolveu experimentar aos poucos esta "felicidade", e então ele começou a gastar as suas economias, a ter um vocabulário menos moderado e as suas notas não eram própriamente excelentes.
Mas onde é que está a tal felicidade, perguntava ele?
Ainda não a tinha encontrado, então começou a utilizar outros métodos.
As suas saídas à noite começaram a ser mais prolongadas, por vezes nem ia à cama, o álcool começou a ser um amigo, pois ele dizia que o ajudava a libertar-se da sua timidez.
Mas a pergunta persistia, onde é que a felicidade está? Porque é que ainda não a encontrei?
Aos poucos ele afastou-se da sua familia, daqueles que sempre estiveram ao seu lado, de quem ele amava e o amavam a ele.
Este era o estilo de vida dos seus amigos... dos amigos com quem o João andava.
Mas certa noite, quando ele procurava a sua felicidade, por volta das 4:25 da manhã, ele tomou consciência que para além de não ter encontrado a felicidade que procurava, ele perdeu a que já tivera... perdeu a felicidade que tinha!
Será que conseguimos imaginar a sua dor? A sua angústia? A frustação?
Talvez, não sei, só tu é que sabes.
Após isto, o João começou a sentir-se pouco à vontade naquele local, e retirou-se. Foi para casa.
Como sempre, assim que entrou em casa, sentiu que no quarto dos seus pais, a luz que estivera acesa, agora havia cessado. Ele sabia que a sua mãe não se ia deitar antes dele chegar. E pensou para si "quantas noites não deve a minha querida mãe não ter dormido por minha causa!" E sentiu um aperto no seu coração, que quase não o deixavam respirar.
No dia seguinte ele contou aos seus pais o que lhe havia acontecido, e pediu-lhes perdão por tudo o que lhes fizera passar. A sua mãe deu-lhe um beijo delicado e o seu pai um abraço apertado.
Os seus irmãos, ao fim do dia, quando O viram, foram ter com ele para lhe contar as suas aventuras, quer na EB1, 2, 3, quer na secundária.
Quando se foi deitar, a sua mãe foi ter com ele e convidou-o a orar, ele concordou e a mãe orou: "Bom Pai e misericordioso Deus, obrigado por este dia tão especial, obrigado porque tu sempre cuidaste do João e porque nunca o abandonaste. Obrigado porque nunca deixaste de acreditar nele, e porque sempre lutaste contra Satanás, pela sua vida. Obrigado porque ouviste as minhas súplicas e porque nesta hora o posso abraçar. Te louvo pelo tão grande Amor, por esse Amor sincero e desinteressado, Amor esse que ficou expresso na cruz quando Tu tomaste o nosso lugar. Cuida de nós e dá-nos uma boa noite, Te agradeço tudo isto, no Santo nome de Jesus, Amém."
Quando se levantaram o João soluçava, e entre um sorriso e um suspiro profundo disse à sua mãe: "Obrigado por me amares!".
O João, saiu do seu canto confortável, e teve uma experiência única na sua vida, que de certo o fez crescer e amadurecer. Nem sempre sair do nosso canto é fácil e nem sempre corre tudo bem, mas no fim teremos sempre aprendido algo que nos vai ajudar a ver as coisas de uma outra forma.